A iniciativa do professor indígena Antonio Bernardo já recuperou nascentes de água na comunidade

O professor indígena Antonio Bernardo, morador da Aldeia Nova Buriti, no município de Dois Irmãos do Buriti (MS), deu início, em 2007, ao projeto “Áke Tikóti Ihonóti”, que significa “sementes que brotam”. A iniciativa, sem fins lucrativos, surgiu com o objetivo de engajar as crianças na preservação do meio ambiente e na recuperação dos recursos naturais dentro do território indígena, como árvores e nascentes.

“Desde o início do meu projeto, venho revitalizando uma área próxima à minha casa, onde existe uma nascente”. Foram plantadas cerca de 500 mudas no local, e, após 17 anos de dedicação, vieram os resultados. “Minha área de preservação está recebendo visitas de animais silvestres, como o lobinho, além de várias espécies de aves”, conta Antônio.

Professor de Geografia, Antonio destaca que o foco do projeto é nas crianças, pois acredita que elas são o futuro. “Elas continuarão com o nosso objetivo de cuidar do lugar onde vivemos”, explica o indígena, que defende a importância de ensinar desde cedo a responsabilidade ambiental.

O professor indígena explica que leva as crianças para conhecer as árvores nativas da região e também os locais que antes eram inundados por águas, mas que hoje estão secos. Juntos, eles coletam sementes para a produção de mudas. Antonio também leva as crianças aos pequenos riachos onde costumava nadar, que hoje não existem mais. A coleta de resíduos às margens do único córrego existente na aldeia é outra atividade realizada com as crianças, integrando-as ao cuidado com o meio ambiente, mostrando a importância da preservação ambiental e a necessidade de recuperar essas áreas.

Ao longo dos anos, o projeto tem obtido resultados expressivos. Inicialmente, Antonio produzia mudas em seu próprio quintal, com o apoio da família. Com o tempo, a iniciativa se expandiu e ganhou adesão das escolas das comunidades, que incorporaram o projeto em suas aulas didáticas. Hoje, os alunos participam ativamente das atividades, aprendendo sobre a importância de cultivar árvores e plantas, especialmente aquelas que fornecem sementes utilizadas na confecção de colares e adornos tradicionais do povo Terena, que são usadas em rituais sagrados. 

Na preparação das mudas, Antonio destaca que não utiliza saquinhos específicos para plantar. Em vez disso, ele reutiliza sacolas plásticas de supermercado e embalagens de alimentos, como de arroz, feijão, açúcar e caixinhas de leite. Ele enfatiza que essa prática é uma forma de reciclagem, evitando que esses plásticos, que muitas vezes são descartados, sejam jogados fora e causem impacto ambiental.

Reconhecimento

O professor compartilha seu trabalho nas redes sociais e tem recebido muitos elogios, incentivando seus amigos a também plantarem árvores. Nos comentários de suas postagens, amigos virtuais chegam a pedir mudas para plantarem em suas casas. O reconhecimento de sua iniciativa também veio da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), que o convidou para palestrar e apresentar seu projeto aos universitários. A participação dos acadêmicos indígenas da “Rede de Saberes” fortaleceu ainda mais a visibilidade do seu trabalho.

O professor Antonio ressalta que tem recebido o reconhecimento dos moradores da aldeia, que agora visitam sua casa para buscar mudas e plantar em seus quintais. “É gratificante ver a comunidade envolvida, plantando e cuidando das árvores em suas casas”. Ele também explica que conseguiu recuperar nascentes em sua comunidade, áreas que antes estavam sem cuidados e sofrendo com o impacto ambiental.

Antonio Bernardo, com seu projeto, tem ajudado não apenas na preservação ambiental, mas também na manutenção das tradições culturais de sua comunidade, conectando as novas gerações ao conhecimento ancestral.

Se você quer saber mais sobre o projeto  “Áke Tikóti Ihonóti”, pode acompanhar pelo facebook do professor @Antonio Bernardo.

fotos: Acervo pessoal.