Confira como manter os exercícios em dia mesmo sob as condições climáticas extremas
Com o avanço das queimadas e a presença constante de nuvens de fumaça sobre grande parte do Brasil, praticar exercícios físicos ao ar livre tem se tornado um desafio. Além das altas temperaturas e da baixa umidade do ar, o aumento da poluição impõe riscos significativos à saúde de quem busca manter uma rotina ativa.
Para quem não abre mão dos treinos, entender os impactos desse cenário e adotar cuidados preventivos são essenciais para evitar problemas graves.
O calor excessivo combinado ao ar seco não afeta apenas o conforto durante a prática esportiva, mas pode levar a sérias complicações. Entre as condições mais comuns estão a desidratação, exaustão pelo calor e até cãibras de calor — uma condição dolorosa que ocorre devido à perda de eletrólitos pelo suor em excesso.
Esses problemas são agravados pela inalação de ar poluído, rico em partículas finas provenientes das queimadas. Esse tipo de poluição agrava doenças respiratórias crônicas e pode desencadear crises alérgicas ou ataques de asma, especialmente em pessoas com predisposição.
Cuidados durante exercícios físicos
Praticar exercícios sob o sol forte e em condições de ar seco requer uma adaptação na rotina. A Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte afirma que, com a interferência do ambiente, o estresse pelo calor pode diminuir a capacidade de esforço em até 25%.
A moderação ajuda a prevenir o superaquecimento do corpo e minimiza o risco de complicações cardiovasculares, que podem ser agravadas pela sobrecarga imposta ao coração para manter a circulação adequada durante o exercício.
Escolher o horário correto também é fundamental. A indicação do Guia de Atividade Física para a População Brasileira, do Ministério da Saúde, é treinar antes das 9h30 e após as 16h30, quando a temperatura está mais amena e a umidade do ar tende a ser um pouco maior. Mesmo assim, deve-se atentar para a hidratação, ingerindo água 40 minutos antes da atividade e a cada 20 minutos durante o exercício, para evitar a desidratação severa.
O designer Mateus Soares, de 23 anos, afirma que a rotina de exercícios na musculação não sofreu muitas alterações, mas ele percebeu algumas diferenças:
“Precisei beber mais água nesses dias por conta do calor e do tempo seco, porque senti um mal-estar geral no corpo e aumento de enxaquecas, não somente relacionado aos exercícios. Mas, como faço musculação, acredito que o impacto é menor do que um esporte ao ar livre”, afirma.
A poluição do ar, intensificada pelas queimadas, representa um perigo adicional. A inalação de fumaça pode irritar as vias aéreas e piorar o desempenho respiratório, especialmente em praticantes que têm doenças respiratórias preexistentes, como asma e bronquite.
Cãibra de calor
Durante a prática de exercícios em temperaturas extremas, a perda de líquidos e eletrólitos pode resultar em cãibras de calor, que são contrações musculares dolorosas, geralmente nos membros inferiores. Elas são um sinal claro de que o corpo está sofrendo os efeitos da desidratação e do desequilíbrio eletrolítico, e indicam que é hora de parar, descansar e repor líquidos.

O educador físico Gabriel Oliveira explica que com as altas temperaturas, o corpo perde nutrientes por meio do suor e tem a contração muscular conhecida como cãibra.
“Diversas pesquisas realizadas em janeiro de 2023, em meio a ondas de calor, apontam que com a temperatura e a transpiração excessiva, houve uma maior taxa de contrações musculares, principalmente em pessoas que estavam praticando atividades físicas regulares, ou seja, caminhando, indo para o serviço ou para casa”, afirma.
A cãibra de calor, se não tratada, pode evoluir para condições mais graves, como a exaustão pelo calor ou até mesmo a insolação.
Alternativas Seguras
Se o clima está muito seco ou a fumaça está intensa, optar por atividades em ambientes fechados, como academias climatizadas, é a melhor alternativa. Em casa, exercícios leves e aeróbicos também podem ser realizados com segurança. A escolha por vestimentas adequadas, como roupas leves e de cores claras, e o uso de protetor solar e chapéus são fundamentais para quem insiste em praticar atividades ao ar livre.
Em tempos de calor extremo e fumaça, cuidar da saúde deve ser a prioridade. Ajustar a intensidade e o horário dos exercícios, manter-se hidratado e proteger-se da poluição são atitudes simples que podem fazer toda a diferença para a segurança e o bem-estar dos praticantes de atividades físicas.
Confira o guia para manter o exercício com segurança:
