
Dizem por aí que a arte move o mundo e muda vidas, e essa é a história da Lais.
Lais Ferreira tem apenas 18 anos e carrega uma bagagem recheada de experiências, o que resultou em responsabilidades e a trouxe maturidade, desde cedo. Ela cresceu no mundo da dança e sua irmã mais velha se tornou uma inspiração para a “menininha” de 8 anos, que sonhava em ser dançarina.
Para relatar a rotina de Lais, precisa-se entender o que ela viveu, desde nova, até ser quem é hoje. Aos 13 anos, participou de sua primeira competição como bailarina, em Indaiatuba, e naquele momento entendeu sua paixão pela dança, onde pôde conhecer pessoas que a inspiraram, e mesmo não ganhando em nenhuma categoria, percebeu que amava aquilo que estava fazendo.
Com o passar dos anos, Lais fez alguns cursos que resultaram em um convite para se aperfeiçoar na Itália, onde permaneceu por 6 meses. Ela descreve essa época como a mais importante, e ao mesmo tempo, a mais difícil de sua vida. A primeira vez longe dos pais, em um lugar com culturas diferentes, mas por ser bem nova, se entregou 100% e tudo o que sabe hoje, se deve ao tempo em que passou no exterior.

De volta ao Brasil, em 2020, ano de pandemia, ela se encontrou perdida. Sua rotina era resumida a fazer aulas de dança no formato on-line, mas o medo estava presente. A angústia era por não saber quando as coisas voltariam “ao normal”, e por ter saído de uma rotina corrida em outro país, e se estagnar dentro de casa sem poder voltar para os palcos.
No ano seguinte, depois de passar por um período de desmotivação, Lais passou a ressignificar o sentido da dança em sua vida. Onde antes ela enxergava somente um caminho para ser seguido, hoje existe um leque de possibilidades que ela agarrou. Descobriu um apreço pela área de produção, e atualmente, faz parte de dois projetos do Fundo de Investimentos Culturais (FIC), viaja para diversas cidades do interior para dançar, dá aulas e participa das etapas de criação de um espetáculo.
A lição mais valiosa que tirou disso tudo, foi dar valor a quem ama, e fazer questão de estar perto e ser presente na vida de sua família. Hoje, é muito mais feliz e grata por estar com seus pais, e participar de momentos especiais. O que antes era um sonho, passou a se tornar obrigação e os olhos que brilhavam pela dança, já não eram mais os mesmos. Então, essa transição foi importante para Lais voltar a ter prazer pela dança e amenizar as cobranças que fazia a si mesma.

Nesse tempo, ela descobriu apreço em outra área: a psicologia. Por já possuir um registro profissional (DRT) e ter licença para dançar, descartou a possibilidade de cursar algo na faculdade, que envolvesse a dança e por sempre gostar de neurociência, Lais optou por estudar psicologia.
Todos os dias, ela vai para a faculdade. Às segundas e às quartas, a partir das 13h30, vai para o ensaio do espetáculo que está montando para o Governo, e no final da tarde, tem aula no grupo de dança Arara Azul. Depois, faz aula de ballet e, por fim, ensaia para os festivais que participa. Por serem dias mais corridos, na segunda e na quarta ela não prioriza as demandas da faculdade, então sempre deixa prontas as suas pendências.
Nas terças e quintas, Lais leciona ballet para as crianças, e na sexta tem aula no grupo Arara Azul. Ela tira os sábados para descansar a mente e não fazer nada.
A bailarina conta que para sua semana começar bem, ela segue uma rotina aos domingos. Corre pela manhã, e usa aquele momento para passar consigo mesma, esvaziar a cabeça e não pensar nos problemas, apenas em encontrar uma boa e gelada água de coco para tomar após a caminhada. O almoço do domingo é sempre com sua família, momento que também faz parte da sua rotina da semana, porém no período da noite.

Tirar um tempo para jogar conversa fora com seus pais é prioridade na rotina de Lais, com dias corridos e muitas tarefas para fazer, ela precisa estar com as pessoas que mais ama, para se conectar e recarregar as energias, porque passar esses momentos torna-se um combustível para a bailarina. Depois de várias experiências e em lugares diferentes, seu verdadeiro lar é estar em casa, é ali que encontra forças e motivações que as inspiram para continuar lutando, e nunca deixar de se movimentar a cada nota musical que faz seu coração pulsar.