Prestes a completar 30 anos, a Cia de Dança Arara Azul acumula títulos e histórias. A equipe que carrega em seu histórico diversos bailarinos renomados, mostra suas vivências além dos palcos de Campo Grande. Lais Ferreira, acadêmica de Psicologia e atual integrante do grupo conta sobre momentos vividos nesse ano que ingressou na Cia, Ela cita que o grupo é muito disposto a aprender e partilhar “a gente tem aula com pessoas diferentes, é legal que cada um é de um ponto diferente da dança”, seus companheiros de aula vêm de outros segmentos, como Hip Hop e Ballet Clássico.

Bailarinos do grupo Arara Azul, (Foto: Divulgação)

A acadêmica relatou um pouco sobre sua participação no festival CBDD (Conselho Brasileiro da Dança), Laís apresentou um solo na competição e garantiu o primeiro lugar representando o Arara Azul, “O solo veio de um convite, eu acompanhava o trabalho da Jessica (coreógrafa da Cia) desde sempre e foi diferente de tudo que trabalhei em outros lugares, tudo que dancei sempre foi muito imposto, esse solo foi uma troca, ela me deu muita liberdade e foi uma criação em conjunto”

O solo com nome -Aquilo que busco, encontro em mim- expõe a trajetória da bailarina no mundo da dança, “eu fiz escolas em Belo Horizonte e na Itália, eu sempre levei muita bronca por causa das minhas mãos, sempre fui muito criticada, meus dedos são muito grandes, eu sou alta no modo geral, sempre estava atrasada nas sequências, eu já tive professores na Itália que pisaram na minha mão, sempre foi um problema”. A coreografia montada pela professora e aluna traz em evidência as mãos da bailarina, transformando algo negativo no ponto principal desta apresentação.

Bailarina Laís Ferreira no palco do CBDD, solo “Aquilo que busco encontro, encontro em mim”(Foto: Divulgação)

A arquiteta, bailarina, coreógrafa e amante da dança, Jéssica Bellincanta assumiu os ensaios e a rotina do Arara Azul em 2016, e desde então, são muitas recordações, ‘É uma responsabilidade muito grande, os nomes que tivemos antes, são coreógrafos de grande expressividade na Capital, o peso que eu senti foi assumir de fato um lugar que tínhamos grandes nomes da Dança e poder transformar e levar o grupo com a qualidade e a seriedade que esses outros coreógrafos levavam.” relata a atual coreógrafa. Antes de Jessica assumir o cargo de professora da equipe, nomes como Chico Neller e Rosana Cintra deixaram sua passagem e legado na Cia. 

LEMBRANÇAS

O grupo compartilha de diversas experiências, ex-alunas comentam sobre como o grupo se tornou uma grande família, “Quando fomos para o Festival de Goiás de van todos juntos, além de todas as lembranças durante o festival, na nossa volta pra cidade uma amiga passou muito mal o que fez atrasar o nosso retorno e tivemos que parar no hospital para ela tomar soro na veia.. parece uma história triste mas foi muito engraçado por que tudo isso aconteceu depois de termos comido um lanche famoso “podrão” na rua da cidade, e depois de ela já ter tomado soro e estar melhor no caminho para Campo Grande foi minha vez de passar muito mal com dor de barriga…” 

Marcela Pereira, atualmente bailarina da Cia de Dança Selma Azambuja relembra momentos importantes que passou sendo aluna, “a coreografia que mais me marcou foi -Strobe-, coreografia de Jazz da coreógrafa Jéssica, foi a primeira coreo que levamos para festivais e que ganhamos premiação no Festival de Goiás, o que nos fez comemorar muito, pois disputamos junto de Cias renomadas de São Paulo”. Para Marcela, o Arara Azul foi uma experiência “linda” e um momento muito importante, tanto na sua carreira de bailarina, como de ter a oportunidade única que a ajudou a ingressar em uma das melhores Universidades do Estado.

HISTÓRICO

O grupo foi criado em setembro de 1993 pela Universidade Católica Dom Bosco (UCDB). Segundo o coordenador do setor de Arte e Cultura da UCDB, professor Roberto Figueiredo, “é um carisma da Instituição o desenvolvimento da arte”. Roberto ainda cita que dentro da Companhia, que conta com 20 acadêmicos de diversos cursos, os participantes recebem uma bolsa de estudos para participar do setor artístico e representar a instituição em competições e mostras pelo país. 

Os bailarinos selecionados Pela Companhia Arara Azul frequentam regularmente as aulas, que acontecem às segundas, quartas e sextas das 17:00 às 18:30, a Universidade disponibiliza um espaço para que os ensaios aconteçam, durante as aulas, a coreógrafa passa pelo processo criativo para criação e inovação de novas coreografias, ensinando e auxiliando os alunos para que eles possam aperfeiçoá-las e moldá-las para seus corpos, “quero que as pessoas não dancem apenas pela dança, mas que elas consigam ter momentos de reflexões com relação à mensagem que a gente quer passar e que isso não ocorra só nos palcos, mas ao longo dos processos que a gente trabalha”, pontos fundamentais citados pela professora.

A Equipe do setor de Arte e Cultura já teve diversos rostos representando um único propósito, a dança, o grupo que todo início de semestre abre as portas para novos candidatos, têm grandes histórias pela Capital e pelo Brasil, os acadêmicos da Universidade Católica Dom Bosco tem a oportunidade de se inscrever e ingressar na Cia Arara Azul, a companhia faz teste para novos bailarinos todos os anos, promovendo integração, arte e cultura a mais de 30 anos.

  • Cia de dança Arara Azul: Alguns dos prêmios conquistados
  • ANO – 2017
  • 1) Prêmio Onça Pintada – Categoria: Conjunto Jazz; Coreografia: Strobe (primeiro lugar)
  • ANO – 2018
  • 2) Participação da Cia no espetáculo do Estúdio de Dança Beatriz de Almeida – Convite a Dança
  • 3) Prêmio Onça Pintada – Categoria: Conjunto Jazz (primeiro lugar)
  • 4) Solo Contemporâneo masculino (primeiro lugar)
  • 5) Conjunto contemporâneo (segundo lugar)
  • ANO – 2019
  • Prêmio Onça Pintada – Categoria:
  • 6) Conjunto Jazz (primeiro lugar)
  • 7) Conjunto contemporâneo (primeiro lugar)
  • 8) Duo contemporâneo – coreografia “Qualquer coisa”