Um dos principais problemas nas rodovias de Mato Grosso do Sul são os altos índices de atropelamentos de animais silvestres. Provavelmente você já presenciou casos assim durante viagens. Ao se deparar com certa cena você saberia o que fazer? Para essa situação nós temos o Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (Cras), que é responsável pela reabilitação desses animais.  

Sendo um dos pioneiros Centros de Triagem de Animais Silvestres criados no Brasil. o Cras foi criado em julho de 1987 com o intuito de acolher, tratar e destinar os animais silvestres apreendidos em operações de combate ao tráfico, os atropelados nas rodovias estaduais, ou apenas entregues voluntariamente pela população.

O Cras aceita mais de 300 espécies de animais, entre répteis, aves e mamíferos. No total, são aproximadamente 41 mil animais. Destes, 68 % são aves, 20 % são mamíferos e 12 % são répteis. O número de espécies ameaçadas representa 4 % do número total de registros.

Segundo o responsável técnico pelo local, o médico veterinário Lucas Cazati , em épocas reprodutivas ocorre um aumento no  número de atropelamentos. Durante toda a primavera e verão os casos se tornam mais intensos, pois o animal tende a ir em busca de alimento e muitas das vezes ao atravessar as rodovias ocorre o acidente.

De acordo com o chefe da assessoria de comunicação do Batalhão de Polícia Militar Rodoviária, dados apontam que de janeiro até setembro deste ano foram registrados 14 acidentes de atropelamento de animais silvestres apenas nas Rodovias Estaduais, contendo dois óbitos.

Maio foi o mês com mais acidentes, totalizando seis das 14 ocorrências. Os logradouros estaduais com mais registros são a MS-040 e MS-178.

Ademilson de Oliveira Leite, trabalha há 12 anos como motorista de caminhão e conta que em toda viagem que faz vê algum animal morto na rodovia. “ Toda semana quando saio para viajar vejo algum animal atropelado na pista, é muito triste ver cenas assim”,  lamenta o motorista.

As rodovias mais próximas do Pantanal são onde acontecem mais casos,  por conta da vegetação mais densa que predomina a área. 

Cazati conta que a cada ano que passa se torna mais frequente os casos e reforça que não há um culpado nessa situação.  “São acidentes, não tem um culpado. Medidas para a diminuição já estão sendo tomadas, exemplo disso é a colocação de sinalizadores, lombadas eletrônicas, passagens subterrâneas, e entre outras coisas que já estão sendo realizadas”. 

Os animais chegam para o Cras através da Polícia Militar Ambiental, geralmente os animais vítimas de atropelamento com politraumatismo, fratura na coluna, em pernas e braços. Os mais acometidos são os de grande porte, como antas, veado, tamanduá, são algumas espécies que sofrem bastante atropelamentos.

Após passar por todas as etapas do monitoramentos,  a maioria dos animais antes de saírem do Centro são marcados de acordo com suas características físicas, para que seja possível o seu monitoramento.

Com isso, caso presencie alguma situação de atropelamentos nas rodovias do Estado ligue: 191 – Polícia Rodoviária Federal (PRF), 190 – Polícia Militar (PM).