Dados mostram que números de negros nas faculdades tem a  maior queda dos últimos anos 

A desigualdade racial é um problema persistente em diversas esferas da sociedade, e o  cenário acadêmico não é uma exceção. Apesar dos avanços na promoção da igualdade  racial, as faculdades ainda enfrentam desafios significativos em relação ao acesso e à  permanência de estudantes negros. Dados recentes da Pesquisa Nacional de Amostragem por Domicílio-Educação (PNAD-2022 Educação) mostram que, em comparação com estudantes brancos, a taxa de matrícula de estudantes pretos e pardos nas faculdades teve a maior queda desde 2016. Fatores como a falta de  acesso à educação de qualidade nas etapas anteriores e a escassez de políticas de ação  afirmativa são apontados como causas dessa discrepância. 

Além das barreiras de acesso, os estudantes enfrentam desafios significativos na  permanência nas instituições de ensino superior. Questões como discriminação racial,  falta de representatividade nas salas de aula e dificuldades financeiras e o agravante da  crise da pandemia da Covid-19 contribuem para uma taxa de evasão mais alta entre estudantes pretos e pardos. Muitas faculdades têm implementado políticas de ação  afirmativa para abordar a desigualdade racial. Essas políticas incluem cotas raciais,  programas de bolsas de estudo para estudantes negros e a promoção de um ambiente  inclusivo. No entanto, a eficácia dessas políticas, não vem causando o resultado esperado. 

Segundo dados do IBGE, o Brasil tem 56,1% da população formada por pretos e pardos,  porém, apenas 48,3% das vagas no ensino superior são ocupadas por este grupo, Números estes que mostram a verdadeira desigualdade social e racial em que a educação  acadêmica no Brasil enfrenta. Outros dados que refletem isto é a pesquisa do PNAD  Educação, que é realizada anualmente e mede a realidade de acesso à educação no país.

A pesquisa mostra que no período de 2016 a 2019 houve um aumento na proporção de  pretos e pardos nas universidades, passando de 45,9% para 49% respectivamente, um total de 3,6 milhões de pessoas em relação ao total de matriculados. No  entanto, depois de três anos sem a pesquisa devido à pandemia da Covid-19, os dados de  2022 mostram uma queda para 48,3%. O Brasil passou a ter 4,1 milhões de estudantes, em comparação com o total 8,2 milhões de estudantes. 

Outro ponto que mostra uma tendência de afastamento dos alunos pretos e  pardos das universidades, é o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) que registrou uma  queda nos números de inscrição. Em 2020, eram 2,7 milhões de estudantes pardos inscritos,  já neste ano são 1,3 milhões, (queda de 51,7%). Em relação a estudantes pretos a queda foi de 53,1%  e entre brancos foi de 35,8%. 

Proporção de negros na faculdade cai pela primeira vez

Grande exemplo de como esses números são reais é a trajetória acadêmica do estudante de Jornalismo Welington Oliveira, de XX anos, que ingressou na faculdade  em 2019, porém, até hoje não conseguiu se formar. “Ingressei na faculdade em 2019 através do Enem, e ganhando uma bolsa de 70%, que a faculdade Estácio estava ofertando. Sempre foi meu grande sonho fazer Jornalismo. No começo foi só alegrias, no entanto, com o passar dos semestres fui percebendo que tudo que a faculdade tinha me oferecido não era realidade e ao chegar no quarto semestre a faculdade encerrou o curso deixando vários alunos “não mão”, tive que procurar outra opção, foi uma fase muito difícil pois estávamos no meio de uma pandemia, tive que optar de ir para faculdade EAD,  foi um momento difícil, porém, optei por seguir lutando, acredito que nós pretos devemos  sempre lutar por uma sociedade melhor e nunca desistir, vivemos uma luta diária”, é o que  diz Welington Oliveira. 

Já para o estudante Luan Oliveira Santos Souza, de 17 anos, que está no segundo ano do ensino médio da  rede pública de ensino, o principal desafio que terá pela frente no futuro para  estar dentro de uma sala de aula universitária é a desigualdade de preparo que ocorre entre os estudantes de escolas públicas e particulares. “A principal dificuldade vai ser a  desigualdade, tanto com cursos preparatórios, quanto para estar no mesmo ambiente em que a diversidade racial e econômica são grandes”. Luan afirma que poderá haver “pessoas brancas e privilegiadas fazendo de tudo para fazer de chacota nossas dores e intimidades  jogando-as para o alto para que todos saibam. Para que isso mude precisamos ter consciência de que nem tudo são “flores” que não precisamos ser expostos”. 

A desigualdade racial nas faculdades continua sendo um desafio premente que requer  atenção e ação contínua. A promoção de políticas inclusivas, a valorização da diversidade  e a conscientização sobre as barreiras enfrentadas pelos estudantes pretos são passos  essenciais para criar um ambiente acadêmico mais equitativo. A educação superior deve  ser acessível e acolhedora para todos, independentemente de sua origem étnico-racial, e  é responsabilidade de todos nós trabalhar para alcançar essa meta.

Welyson Lucas