Os obstáculos financeiros, emocionais e o apoio necessário para jovens que se mudam para estudar nas cidades universitárias e capitais
Em busca de educação superior e oportunidades de crescimento profissional, jovens estudantes têm tomado uma decisão corajosa: deixar para trás suas cidades natais e se aventurar na vida acadêmica nas cidades universitárias do Estado. Essa jornada, repleta de ambição e determinação, é também marcada por desafios financeiros e psicológicos que testam a resiliência desses alunos.
Para muitos, a decisão de se mudar é motivada pela busca de uma educação de qualidade e acesso a uma variedade de cursos que suas cidades talvez não ofereçam. Em sua grande maioria, a Capital se torna um centro de excelência acadêmica, onde podem explorar seus interesses profissionais de maneira mais ampla. No entanto, essa busca não vem sem custos, esses jovens que se deslocam para a Capital muitas vezes enfrentam dificuldades financeiras significativas. As despesas com moradia, alimentação, transporte e mensalidades podem sobrecarregar seus orçamentos, levando alguns a trabalhar em empregos de meio período ou buscar bolsas de estudo para aliviar o peso financeiro.
Segundo dados divulgados pelo Secretaria de Modalidades Especializadas de Educação (Semesp) em 2021, 78,5% dos estudantes recorrem à rede privada, ou seja, alunos que não possuem condições financeiras boas, pagam mensalidades altas para poderem cursar o ensino superior.
Além dos obstáculos financeiros, a mudança para a Capital muitas vezes coloca esses estudantes em uma situação de distância de suas famílias e amigos. A solidão e a saudade podem afetar a saúde mental. Muitos deles enfrentam pressões acadêmicas intensas e acabam desistindo. Apesar dos desafios, alguns desses estudantes demonstram uma notável determinação em perseguir seus sonhos educacionais. Como é o caso da Brenda Becker, de 19 anos, a acadêmica de Educação Física da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS). Ela é jardinense e se mudou para a Capital neste ano.

Brenda conta que o apoio de sua família nessa adaptação tem sido fundamental, já que a cabeça de um universitário é conturbada e esse processo de ampliação dos horizontes, muitas vezes, se esgota emocionalmente. A estudante destaca também que esta mudança é importante para o desenvolvimento da vida adulta e o quanto este período serve para estreitar laços e valorizar o convívio com entes queridos.
Essa jornada em busca de educação superior é um testemunho da determinação e busca por oportunidades de crescimento. No entanto, os desafios financeiros e emocionais enfrentados não podem ser subestimados. A história de Brenda e outros como ela demonstram que, com apoio e resiliência, é possível superar esses obstáculos e alcançar seus objetivos educacionais, contribuindo para o desenvolvimento pessoal e profissional de toda uma geração.
Anna Clara Costa tem 20 anos, é acadêmica de Publicidade e Propaganda e se mudou para a Capital no começo do ano de 2023. A futura publicitária veio da cidade de Coxim, e contou que sua mudança de cidade não foi difícil, já que foi um momento esperado e planejado por toda a família. Com isso, ela pontuou algumas dicas para os estudantes que pretendem sair de suas cidades para ampliar seus conhecimentos na Capital.
- Aprender a desconfiar das pessoas, pois nem todo mundo quer realmente te ajudar.
- Aprender a apreciar sua própria companhia.
- Jogar – se de cabeça nos estudos, se esforçar para alcançar seus objetivos.
- Ocupar a cabeça, buscando sempre mais oportunidades.
- Vir de mente aberta, pois as experiências e oportunidades farão de você uma pessoa melhor.
Segundo o Semesp, os alunos que saem de suas cidades em busca de oportunidades acadêmicas, estão na faixa etária de 18 a 24 anos. As psicólogas Sara Narciso e Alline Cavalheiro comentaram como essas mudanças podem afetar a vida desses jovens e adolescentes. Sara Narciso diz que existem pessoas que possuem grande dificuldade em se adaptar ao novo, e o fato de estar longe da família, e do apoio familiar por diversas vezes agrava esses casos.
“É preciso estar sempre atento aos jovens que entram em estado de “anedonia”, que é a perda de prazer pelas coisas do cotidiano, porque isso leva a outras vertentes como: ansiedade, depressão e pensamentos suicidas. Esses casos ocorrem geralmente quando os estudantes se questionam do porquê estão ali e se eles realmente são motivos de orgulho para os familiares, por isso o apoio de casa é fundamental nesse momento de transição da adolescência para a vida adulta, e escolha de profissão.”
Para Alline Cavalheiro, os principais desafios incluem a separação da família, a necessidade de lidar com responsabilidades financeiras, como aluguel e despesas, e as pressões acadêmicas e sociais. “Muitos estudantes se sentem emocionalmente divididos entre a busca pela independência e a necessidade de apoio familiar. A pressão por um desempenho excepcional pode aumentar o estresse.”
Alline enfatiza a importância das universidades oferecerem apoio adequado, como acompanhamento psicológico e oficinas, para auxiliar os estudantes a enfrentar esses desafios de maneira mais eficaz. Um exemplo disso é o Atenção à Saúde Acadêmica (ASA) disponibilizado pela Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), que funciona de segunda a sexta-feira, no piso superior do bloco A. O telefone de contato é o 3312 – 3405.